a casa ficou vazia

tento perceber como cheguei a esta situação de impotência, perda, luto, confusão e em consequência, ou já cá residindo, o esgotamento. mas não consigo.desde o ínicio de julho, porque por dentro já não aguentava e por fora a ajuda era sempre cobrada, por esforços maiores que o dinheiro que se paga a um psiquiatra, decidi tentar fazer um esforço de alma e coração a fim de tratar esta popularmente apelidada, por quem nunca passou por isso, fraqueza psicológica, calanzice da alma, desculpa para não trabalhar e a que os psis chamam de depressão e que ao longo de 25 anos ouvi a apelidarem de distimia, depressão reactiva, depressão endógena, depressão bipolar mista, depressão atípica, doença bipolar, neste momento ainda é só uma depressão major reactiva, mas certamente muitos mais rótulos começarão a aparecer.

ao fim de dois meses de medicação em que no primeiro mês me senti um pouco mais animado, o mês de agosto estragou tudo e a angustia, a oscilação, entre “tudo calmo” e uma agressividade incompreensível, tudo passou por esta cabeça, mesmo tudo.

ao fim de 30 anos reapareceu-me um irmão que vivia encarcerado por uma esposa mentalmente instável e há poucos meses se atirou do 15º andar numa atitude que o meu próprio cansaço me impedem de querer analisar. mas no meu entender havendo um marido com uma paciência acima do normal e dois filhos para os quais inconscientemente esta ausência forçada pode vir a fortalece-los. é deste Irmão que mais preocupo mas para o qual já não consigo ter forças para proteger e neste momento deixo em aberto as proximas semanas.

recuando uns meses, no momento em que a morte da minha mãe se aproximava, mas mesmo assim eu ainda esperava poder retroceder devagarinho até pelo menos uma situação debil mas sem sofrimento… nessa altura conheci uma pessoa que com o passar dos meses se mostrou humilde, trabalhadora, simples, prática e desenrascada e com Sentimento, só que numa altura em que após um ano de correria constante para que a minha mãe não ficasse sozinha em casa, em que todos os dias mil e uma coisas me passavam na cabeça como se precisa se de definir que ela iria ficar bem, uma ansiedade de não saber o que ia nem quando ia acontecer o pior, as noites mal dormidas com medo de não saber se ela precisaria de alguma coisa durante a noite, ou se eu não fosse capaz de a ajudar, as idas acompanhada à casa de banho, aquele ar doce e triste que só conseguia deixar o meu coração mais agoniado, toda uma tristeza que não cabia dentro de mim tal a intensidade, ainda para mais com o apoio hipócrita de quem chora lágrimas de crocodilo a fim de ficar bem visto perante os semelhantes, os mesmos que quando não se sentem socialmente pressionados a ser bonzinhos, nos cobram com juros o que te deram quando precisaste…

(a actualizar)

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